sábado, 8 de setembro de 2012


O ENSINO E APRENDIZAGEM MATEMATICA NO 9º ANO DA ESCOLA RURAL

 

Ana Cláudia Pereira da Costa

Prof° André Bazzanella

Centro Universitário Leonardo da Vinci-UNIASSELVI

Matemática/Licenciatura (MAD 0541) - Trabalho de Graduação

08/06/2010

 

 

 

Resumo


 

O ensino e aprendizagem matemática no 9º ano da escola rural apresenta o grande desafio do processo de ensino e aprendizagem matemática, propender estabelecer meios que facilitem o trabalho do educador (a) em sala de aula frente aos desafios do meio rural. Proporciona o estudo da matemática através das experiências vivenciadas pelos próprios estudantes e educadores. Trás entrevista realizada com os estudantes do 9º ano e ainda com os (as) professores (as) da área matemática da instituição de ensino Escola Municipal Monteiro Lobato situada no projeto de assentamento Capão Bonito II município de Sidrolândia. Visa que tanto o educador quanto o estudante compreendam a utilidade aplicativa da matéria no dia-a-dia, aplicando-a em soluções de problemas e no entendimento de como o mundo funciona. Por meio de exemplos do cotidiano, procuramos apontar soluções para a dificuldade no ensino matemático do meio educacional rural.

 

 

Palavras-chave: Aprendizagem; Ensino; Estudantes.

 

 

1-INTRODUÇÃO

 

A vida no campo diferencia-se da urbana não só pelo espaço que ocupa geograficamente, mas principalmente pela ligação que as pessoas têm com a terra e seus frutos. Nesse meio, uma educação idêntica a da cidade provocaria uma desistência em massa, pois estaria desvinculando-se da vida real dos sujeitos em assunto. De acordo com dados da revista Nova Escola (setembro 2003), que aborda o tema educação do campo. Os números das escolas campesinas crescem a cada ano, sendo na época de 101 mil escolas implantadas e em funcionamento, 6,3 milhões de estudantes devidamente matriculados e 290 mil professores atuando em diversas áreas do conhecimento.   

 

Com base nestes dados pode-se citar a educação do campo como uma realidade social do novo milênio. Com um publico crescente o Concelho Nacional de Educação aprovou em 2001 as Diretrizes Operacionais para educação básica nas escolas do campo, para adequar conteúdos, tempo e espaço pedagógico, objetivando assim diminuir a evasão escolar de 25% para 5% em épocas de cheias e de colheitas. Entre as crianças nascidas no meio rural apenas 21% terminam o Ensino Fundamental e só 10% concluem o Ensino Médio, isso requer medidas urgentes direcionadas aos trabalhadores do meio rural que atualmente representam 70% dos alimentos que chegam as mesas urbanas.

  

Dentro desta perspectiva o processo de ensino e aprendizagem da Matemática deve ser bem trabalhado nas escolas rurais, para que futuramente os estudantes não apresentem dificuldades graves, quanto à construção deficiente do pensamento lógico-abstrato.

 

Atualmente o ensino da Matemática se apresenta descontextualizado e invariável, sendo produto de mentes privilegiadas. O estudante é, muitas vezes, um mero expectador e não um sujeito participador, sendo a maior preocupação dos professores a de desempenharem o programa. Os conteúdos e a metodologia não se articulam com os objetivos de um ensino que sirva à inclusão social dos estudantes, ao desenvolvimento do seu potencial, de sua expressão e interação com o meio.

 

O trabalhar com a matemática em sala de aula representa um desafio para o educador na medida em que demanda que ele o conduza de forma significativa e instigante para o estudante. Comumente as referências que o docente tem em relação a essa disciplina vêm de sua noção pessoal. Muitos deles asseguram que tiveram dificuldades com aquela matemática convencional ensinada nas escolas, que tinha como objetivo a transmissão de regras por meio de intensiva prática. Compete então descobrir novas formas de trabalhar com a matemática, de modo que as pessoas compreendam que pensamos matematicamente o tempo todo, resolvemos problemas durante vários momentos do dia e somos convidados a pensar de forma lógica diariamente. A matemática, portanto, faz parte da vida e pode ser aprendida de uma maneira dinâmica, divertida e contextualizada.

 

 

2- O ENSINO X APRENDIZAGEM

 

As dificuldades com as quais os estudantes e os professores se deparam no ensino-aprendizagem da matemática são muitas e conhecidas, por um lado, o estudante não alcança o entendimento da matemática que a escola lhe ensina, muitas vezes é retido nesta disciplina, ou então, mesmo que aprovado, sente dificuldades em fazer analogias com o dia a dia daquilo que a escola lhe ensinou, em resumo, não consegue efetivamente ter acesso a esse conhecimento de fundamental importância.

 

O educador, por outro lado, consciente de que não consegue alcançar resultados satisfatórios junto aos estudantes, e tendo dificuldades de, por si só refletir de maneira satisfatória sua pratica pedagógica procuram novos subsídios muitas vezes, meras receitas de como ensinar determinados conteúdos que, acreditam que possam melhorar este quadro. Uma evidência disso é, positivamente, a participação cada vez mais crescente de docentes nos encontros, conferências ou cursos. Parecem encontrar nesses ambientes táticas didáticas para solução de todos os problemas que vêem enfrentando no cotidiano escolar. No entanto, observamos que atualmente muitos docentes se empenham em transformar tal condição educacional, buscando dar prioridade à transferência de conteúdos com técnicas diversificadas, aliadas às experiências do dia-a-dia, para com isso levar o estudante ao desenvolvimento do raciocínio lógico e ao exercício da sua capacidade de reflexão.

 

De acordo com as psicologias de aprendizagem e as filosofias da educação, ensino resulta em aprendizagem, e nos leva a crer que ensinar implica em fazer alguém aprender. Porém, sem compreensão e empenho próprio não há aprendizagem. Compreender os conteúdos não esta diretamente ligada à explicação do educador, assim como o empenho não pode ser por este transferida ao estudante. A compreensão germinar do amadurecimento, do mesmo modo que o esforço nascer do enteresse que o estudante necessita para consolidar sua aprendizagem. De acordo com Miguel e Miorim

 

A finalidade da educação matemática é fazer o estudante compreender e se apropriar da própria matemática, concebida como um conjunto de resultados, métodos, procedimentos, algoritmos etc. os autores ainda afirmam que a finalidade é fazer o estudante estabelecer, por intervenção do conhecimento matemático, valores e atitudes de naturezas diversas, visando o desenvolvimento integral do ser humano e, particularmente, do cidadão, isto é, do homem público” (MIGUEL E MIORIM, 2004, P.71).

 

           Para que o educador consiga inserir idéias na cabeça do estudante, ele precisa apresentar situações–problemas estimulantes, levantar questionamentos de indução lógica, onde proporcione ao estudante momentos de raciocínio direto. Não simplesmente dando a resposta, mas sempre dialogando até que ele mesmo consiga estabelecer relação, sempre ouvindo o que o estudante tem a sobrepor sobre o assunto, sem criticá-lo ou ridicularizá-lo. E sempre relevante ter em mente a busca, pois o estudante se sentira sujeito participativo e construtor de seu conhecimento próprio.

 

 

3 ENSINO E APRENDIZAGEM DA CONTAGEM NUMERICA

 

O ser humano se viu em meio à necessidade de contar com o desenvolvimento das atividades humanas, quando o homem foi deixando de ser pescador e coletor de alimentos para fixar-se no solo,mas propriamente com a descoberta da agricultura. Então teve inicio um movimento de contagem extremamente necessário. O homem começou a plantar, construir casas e domesticar animais para sua sobrevivência e apropriação de bens.

 

A agricultura passou então a exigir as informações do tempo, das estações do ano e das fases da lua e assim tiveram inicio os primeiros calendários. Já no lidar com os animais era utilizada uma técnica de colocar pedrinhas em um saco. Para cada animal que saia ao pasto pela manhã era acrescentada uma pedra ao saco, e no fim da tarde era feita a conferencia, ou seja, para cada animal que retornava era retirada uma pedra do saco. Se no fim do dia houvesse sobra, é por que faltava algum animal. Atualmente a palavra cálculo é derivada da palavra latina calculus, que significa pedrinha.              A equivalência unidade não era feita somente com pedras, mas também com nós em cordas, marcas nas paredes, talhes em ossos, desenhos nas cavernas e outros tipos de marcação.

 

A estrutura lógico-matemática de número não pode ser ensinada diretamente porque a criança tem que construí-la, se voltarmos o olhar aos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática temos que:

Ao longo do ensino fundamental os conhecimentos numéricos são construídos e assimilados pelos alunos num processo dialético, em que intervém como instrumentos eficazes para resolver determinados problemas considerando-se suas propriedades, relações e o modo como se configuram historicamente. (p. 54-55, 2001)

 

Por meio deste, podemos utilizar distintos recursos didáticos para animar o estudante a pensar ativamente, estimulando o desenvolvimento de sua capacidade mental, um bom e viável exemplo são os jogos, magnífica saída didática que pode ser utilizada nas aulas de Matemática. Pois enquanto jogam, os estudantes comunicam-se, conferem idéias e reorganizam o pensamento através do contato de proximidade que ocorre entre eles e com o educador.

 

O educador deve sempre estar um passo a frente de seu publico de estudantes. Então é muito importante que o docente, antes de trabalhar com jogos em sala de aula, teste analisando suas próprias jogadas e refletindo sobre os possíveis erros; com isto, terá condições de entender as eventuais dificuldades que os estudantes poderão enfrentar. Contudo, devemos ter mais um cuidado, pois para cada realidade existirão jogos melhor condizentes, há sempre a possibilidade de adaptação sem que os jogos percam suas características sendo sempre interessantes e desafiadores. O conteúdo deve estar de acordo com o grau de desenvolvimento e ao mesmo tempo, de resolução possível, portanto, o jogo não deve ser fácil demais e nem tão difícil, para que os educando não se desestimulem (BORIN, 1995).

 

Conforme afirmam FIORENTINI e MIORIM (1996)

 

O professor não pode subjugar sua metodologia de ensino a algum tipo de material porque ele é atraente ou lúdico. Nenhum material é válido por si só. Os materiais e seu emprego sempre devem estar em segundo plano. A simples introdução de jogos ou atividades no ensino da matemática não garante uma melhor aprendizagem desta disciplina (p.9).

 

O processo de contagem deve estar o mais próximo do sujeito em questão, um bom exemplo é o de fornecer dados do cotidiano para que ocorra significância ao estudante, que por sua vez, estabelecera relações entre a matemática estudada por ele em sala e aquela utilizada em seus afazeres. De acordo com KAMI (p.59) “O número envolve a quantificação de objetos discretos e, portanto, não pode ser ensinado através da extensão, que é uma quantidade contínua”.

 

A lógica que está presente em nosso cotidiano, em nossas ações, se encarregara de efetivar a aprendizagem da matemática. Ao chegar ao ultimo ano do ensino fundamental os estudantes precisam saber ordenar suas idéias, escrever corretamente, agir diante das diferentes situações, precisam ter raciocínio matemático eficaz.

 

 

4 . O ENSINO ATRAVES DA MODELAGEM

 

Quando se trata de ensinar é preciso valorizar a capacidade de questionar, a coragem de propor soluções, anseio pelo conhecimento. Diante deste conjunto de fatores indispensáveis para aprendizagem, o educador deve proporcionar esta relação matemático-mundo que existe entre as pessoas, e no meio em que vivemos.

Uma técnica bastante usual no 9º ano é a modelagem matemática, arte de expressar por intermédio de linguagem matemática situações-problema de nosso ambiente. Esta metodologia de ensinar é recente no Brasil, um dos primeiros trabalhos de Modelagem no ensino foi do professor Aristides Camargo Barreto, da PUC do Rio de Janeiro, na década de 1970. 

 

A idéia de Modelagem gera a imagem de um oleiro moldando o barro e dando forma a algo nada atraente. Segundo o Dicionário da língua portuguesa, o termo modelo designa “uma representação de alguma coisa”. De fato o ser humano sempre recorreu aos modelos, para transmitir mensagem aos seus semelhantes como para organizar uma ação.

 

Nessa definição, a Modelagem, é um processo que insurgi da própria razão e compartilha da nossa vida como forma de constituição e de expressão do conhecimento. Segundo Bassanezi (2002, p.24) “A modelagem consiste, essencialmente, na arte de transformar situações da realidade em problemas matemáticos cujas soluções devem ser interpretadas na linguagem usual”.

 

De acordo com BIEMBENGUT, (2003, p.13) “A Modelagem Matemática é, assim, uma arte ao formular, resolver e elaborar expressões que valham não apenas para uma solução particular, mas que também sirvam, posteriormente, como suporte para outras aplicações e teorias.” Tendo esta afirmação por verdade, podemos acreditar que a realidade e a matemática são dois conjuntos independentes e a modelagem é o elo que os faz interagir.

 

 

5- CONCEPÇÃO DOS ESTUDANTES SOBRE A MATEMATICA DO 9º ANO

 

O ensino da Matemática possui problemas similares aos de outras disciplinas, seguindo um padrão transmitido da escola tradicional que se pauta de início onde o educador preparar os conteúdos de forma dissociada da realidade do estudante, produzindo conhecimento sem significado sem levar em consideração o conhecimento prévio desses educandos. Carraher e Schliemann (1995) acreditam que os estudantes oriundos de famílias de renda econômica limitada e que trabalham, empregam os conhecimentos matemáticos na sua vida habitual, solucionando diversas situações problemas, especialmente atrelados às suas situações de afazeres; porém, na escola não conseguem resolver atividades envolvendo cálculos semelhantes. “Na aula de Matemática as crianças fazem contas para ganhar boas notas, para agradar o professor e para passar de ano. Na vida cotidiana, fazem as mesmas contas para pagar, dar troco...” (1995, p. 16). Nesta experiência, fizemos um estudo investigatório sobre como os estudantes do 9º ano realmente encaram a disciplina matemática em sala de aula; como esta chega até eles.

 

 

5.1 APLICAÇÃO DO QUESTIONARIO AOS ESTUDANTES

 

O estudo investigatório tem por finalidade diagnosticar quais são as concepções de Matemática e de ensino e aprendizagem de Matemática do estudante do ano final do ensino fundamental. Foram entrevistados através de questionários 34 estudantes do 9º ano único da Escola Municipal Monteiro Lobato, localizada no assentamento Capão Bonito II município de Sidrolândia, MS. A escola atualmente funciona a partir da educação infantil até o 9ºano do ensino fundamental, sendo nos períodos matutino e vespertino. Os estudantes são transportados até a escola em ônibus escolar, porem a permanência máxima dos estudantes nos veículos de transporte é de uma hora para vir até a escola e consecutivamente o mesmo tempo de retorno as suas casas.

 

A instituição de ensino anteriormente citada conta com uma boa estrutura, pois contempla as necessidades dos estudantes, possui pátio amplo, quadra de esportes, campo gramado, viveiro de mudas onde à escola desenvolve as aulas de agroecologia. Ainda citando o viveiro observamos as possibilidades de trabalhar a disciplina de matemática, pois da construção da estrutura até a produção de mudas existe uma imensidão de possibilidades de cálculos reais e utilizáveis no cotidiano.

 

1)Você gosta de estudar matemática? Justifique sua resposta.

 

Diante desta primeira questão obtivemos os seguintes resultados 47% dos estudantes disseram não gostar de estudar a disciplina matemática; 35% afirmam que gostam bastante do estudo da matemática, já 18% dizem que gostam parcialmente.

 

Observando as justificativas dadas a esta pergunta, nota-se que os entrevistados que disseram não apresentaram as seguintes justificativas: 38% “A disciplina é muito complicada”; 38% “A aula é muito chata sem atrativos”; 12% “disciplina descontextualizada”; 12% não apresentaram motivos.

 

Entre os estudantes que disseram sim podemos analisar as seguintes justificativas: 33% acreditam que “o estudo da matemática é muito importante”; 34% afirmam “a matemática nos ajuda no cotidiano”; 33% “a matemática ajuda a desenvolver a mente”. Já´os que responderam parcialmente 100% dizem que “a disciplina é um pouco complicada”.

 


2) Em sua opinião existe alguma ligação ou utilização da matemática em seu cotidiano?

 

Nesta segunda pergunta feita aos estudantes identificamos que 94% responderam sim, pois acreditam que a matemática esta ligada diretamente a nossa rotina diária de afazeres e justificaram com os seguintes argumentos “usamos diariamente, pois esta presente em tudo, por exemplo, nos supermercados,bancos, fazer contas e até para fazer um bolo”. Apenas 6% disseram que não sabem se existe ou não ligação da matemática com o cotidiano e não apresentaram nenhum exemplo de justificativa.

 


3) Existe alguma dificuldade em sua compreensão da disciplina matemática? Qual?

 

Com esta terceira questão obtivemos um resultado de 100% dos entrevistados dizendo que sim e as mais diversas justificativas. Sendo que 23% disseram “que as equações são muito difíceis”; 18% afirmam “não entender a linguagem do (a) educador (a)”; consecutivamente 18% dizem que “há muita bagunça na sala o que dificulta ainda mais o entendimento”; 12% atribuem à dificuldade de compreensão “aos conteúdos novos, ou seja, não entendem o conteúdo anterior e já vem um novo”; na mesma proporção de estudantes 12% “culpam as expressões algébricas, pois são muito confusas”; 12% não apresentam justificativas somente afirmam que existem vários motivos para não compreenderem a disciplina em questão e apenas 5% dizem “que a falta de livro didático influencia na deficiência de apreensão do conteúdo”. Diante das respostas fornecidas observamos que os estudantes sitaram situações comumente encontradas nas escolas publicas e que decorrem de uma serie de fatores, sendo alguns exemplos, a descontextualizarão dos conteúdos, a falta de comunicação entre educador-estudante, a super lotação das salas de aula dificultando o domínio do educador junto aos estudantes, a falta de material de apoio nas aulas de matemática.

 


 

4) Como você avalia o ensino da matemática que chega até a sala de aula?

 

A esta quarta questão o resultado foi de 70% para os que acham o ensino bom, pois “transmite os conhecimentos básicos”. 12% responderam que é parcial e apresentaram a justificativa que “o ensino é mais ou menos”. Já em relação aos outros 18% afirmaram que “o ensino que chega ate eles em sala de aula é consideravelmente complicado”. Assim sendo podemos ter uma noção parcial de que existe por parte dos estudantes uma expectativa sob o ensino da disciplina matemática quando chegam ao 9º ano.

                                          5)Referente ao estudo da tabuada você tem domínio? Justifique sua resposta.

 

Como base para as quatro operações a tabuada não poderia ficar de fora deste questionário, principalmente por se tratar do 9º ano, onde se espera que os estudantes tenham total domínio da matemática elementar do ensino fundamental. Diante deste questionamento os estudantes deram as seguintes respostas: 35% “dizem sim, afirmam ter domínio da tabuada, pois ela é a base para os cálculos de matemática”. Proporcionalmente aos que tem domínio estão 35% que dizem “ter domínio parcial, não sabem tudo ao pé da letra”. Sendo os outros 30% negativos ao domínio da tabuada.

 

 Tendo uma porcentagem maior entre os que têm alguma dificuldade referente ao domínio da tabuada podemos supor que a bagagem de conhecimentos matemáticos dos estudantes do ultimo ano do ensino fundamental fica deficiente em noções básicas como o domínio da tabuada.


  6)O estudo é priorizado por você?  Como você se organiza para estudar matemática?

 

Referente à prioridade aos estudos 100% afirmam prioriza-lo, porém quando se trata de como se organizam para estudar a matemática 59% disseram que “fazendo e refazendo as contas em casa, onde é mais tranquilo que em sala de aula”. Já os outros 41%comentaram que “não há uma organização extra-sala, afirmando só estudar a matemática em sala”.

 

 


 

5.2 RESULTADOS PARCIAIS

 

Dessa forma, para a maioria dos estudantes pesquisados, saber matemática constitui ter desenvolvido a habilidade de refletir de maneira geral, pensando o problema de forma distinta e visualizando as diversas possibilidades de resolução aplicando os conceitos aprendidos.

 

Conseqüentemente é imprescindível, que façamos uma nova reflexão das práticas pedagógicas em sala de aula referente o estudo da matemática, trazendo novas sugestões que forneçam melhoria do ensino e da prática educacional da disciplina matemática Vigente. Pois no geral o que temos nas escolas rurais tem mais a ver com a finalidade de ensinar métodos de resolução de determinados tipos de problemas ou aplicação de teorias, do que com o objetivo de levar o estudante a formular hipóteses e desenvolver o raciocínio lógico.

 

O cotidiano dos estudantes do campo é um laboratório matemático, pois a maioria sobrevive da renda do lote que sua família possui, onde para obter tal renda se faz necessário dominar algumas técnicas de produção; sendo hoje no local a mais comum à bacia leiteira, onde a própria família cuida desde o trato com os animais produtores até o fornecimento do produto ao mercado consumidor. Neste processo diário de produção existe grande utilização de cálculos e equações, porém os sujeitos não conseguem associar tais cálculos as expressões, equações, etc. Pode-se dizer então ser por esta vertente que a aprendizagem será reforçada no estudante camponês.

 

 

6 OPINIÃO DA EDUCADORA SOBRE A APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES DO 9º ANO

 

1)A escola em que trabalha fornece subsídios para o bom desempenho da disciplina matemática?

 

2)Existe algum tipo de acompanhamento personalizado com o professor da disciplina matemática?

 

3)Sendo professor (a) da disciplina matemática, como avalia de forma geral o desempenho da aprendizagem dos estudantes do 9º?

 

4)Os conteúdos são adaptados às realidades dos estudantes do meio rural?

 

5)Os PCN’s influenciam de maneira positiva ou negativa em sua pratica docente? Expresse o seu ponto de vista.

 

6)Qual sua avaliação enquanto professor dos anos finais do ensino fundamental, a respeito do nível de conhecimento matemático que os estudantes acumulam nas series iniciais do ensino fundamental?

 

7)Em sua opinião existe alguma metodologia eficaz no ensino da matemática?

 

8)Expresse o seu sentimento referente à sua satisfação como profissional da educação no meio rural?

 

9)Em sua opinião qual o maior desafio do educador da disciplina matemática no ano final do ensino fundamental?

 

Em relação às questões aplicadas à professora regente da disciplina matemática do 9º ano obtivemos o seguinte relato.

Resposta 1: “No tocante a escola, a instituição faz o que esta ao seu alcance, porém o material mais utilizado são os livros didáticos.”

 

Resposta 2: “não existe nenhum forma de acompanhamento especializado com o educador nem com os estudantes, mas ressalta que seria muito valido se houvesse”.

 

Resposta 3: “ acredita que o desempenho é regular, poderia ser melhor, porém as salas são super lotadas o que dificulta o trabalho do educador”.

 

Resposta 4: “afirma que a maioria dos conteúdos são por ela adaptados para realidade do meio rural a qual os estudantes pertencem”.

 

Resposta 5: “os PCN’s são importantes para nossa ação e reflexão, porém precisamos de maior fundamentação teórica”.

 

Resposta 6: “os conhecimentos matemáticos que os estudantes trazem das series iniciais são poucos e desvinculados da realidade, poderiam ser melhor trabalhados”.

 

Resposta 7: “acredita que depende muito do público que o educador atende e de como esse encaminha as atividades com os estudantes”.

 

Resposta 8: “tenho grande satisfação, pois morro no assentamento e acredito no desenvolvimento do meio rural e nas pessoas que aqui residem, nós educadores somos multiplicadores de idéias”.

 

Resposta 9: “ acredita que o maior desafio do educador do campo seja o de envolver as famílias na escola, e também que os estudantes e o educador falem a mesma língua”.

 

 

7 CONCLUSÃO

 

Tendo a matemática como a disciplina que alicerça todas as áreas do conhecimento, podemos consequentemente afirmar a necessidade por maiores estudos sobre o ensino e a aprendizagem desta disciplina. Compactuando com os dados reais fornecidos diretamente pelos estudantes do 9ºano podemos concluir que a maioria dos estudantes não sente prazer nem enterece pelo estudo da matemática, pois existe uma concepção pré-adquirida sobre os conhecimentos matemáticos. Em contra partida os dados de quem gosta da matemática por ver relação com o cotidiano é bastante expressivo, o que nos remete as possibilidades de aprimoramento do ensino no meio rural.

 

De acordo com os sujeitos envolvidos no processo de ensino aprendizagem, o trabalho da matemática incorporado à realidade local é um grande aliado dos profissionais que pretendem ou já atuam em escolas rurais, pois cada estudante traz consigo uma experiência individual do conhecimento matemático necessitando somente ser norteado pelo educador. Esta teoria só reforça a tese onde o educador atua como mediador do conhecimento.

 

A maioria dos estudantes acredita que o ensino oferecido é bom, porém fica muito preso ao livro didático, em resumo a pesquisa realizada pode concluir que o ensino e aprendizagem no 9° ano são parciais, de acordo com a educadora não atinge os níveis ideais de aprendizagem, porem não é insatisfatório na opinião dos estudantes.

 

Segundo observações, os resultados iniciais da pesquisa foram promissores no sentido de nos auxiliar a conhecer melhor o pensamento dos estudantes da escola rural, o que por sua vez poderá servir como suporte para nossa pratica docente.

  

 

8 REFERÊNCIAS

 

ABRIL, Revista. Almanaque abril: São Paulo, SP. Ed. ABRIL, 2005.

 

PAMPLONA, A.S., COSTA, W.N.G. & MORAIS: As Concepções de Matemática e de Ensino-aprendizagem de Matemática.

 

BIEMBENGUT, M. S.; Hein, N. Modelagem matemática no ensino. São Paulo: Contexto, 2003.

 

D’ANBRÓSIO, U. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas: Papirus, 1996

 

NOVA ESCOLA, Revista do professor. Setembro 2003. Ed. Abril.          

 

RONAN, C.A. (1983). História ilustrada da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1983.

 

FERREIRA, B.de H. (2000). Minidicionário Aurélio. Editora: Nova Fronteira, 2000.

 

 

 

 


 

 

 

 
O ENSINO E APRENDIZAGEM MATEMATICA NO 9º ANO DA ESCOLA RURAL
 
Ana Cláudia Pereira da Costa
Prof° André Bazzanella
Centro Universitário Leonardo da Vinci-UNIASSELVI
Matemática/Licenciatura (MAD 0541) - Trabalho de Graduação
08/06/2010
 
 
 

Resumo

 
O ensino e aprendizagem matemática no 9º ano da escola rural apresenta o grande desafio do processo de ensino e aprendizagem matemática, propender estabelecer meios que facilitem o trabalho do educador (a) em sala de aula frente aos desafios do meio rural. Proporciona o estudo da matemática através das experiências vivenciadas pelos próprios estudantes e educadores. Trás entrevista realizada com os estudantes do 9º ano e ainda com os (as) professores (as) da área matemática da instituição de ensino Escola Municipal Monteiro Lobato situada no projeto de assentamento Capão Bonito II município de Sidrolândia. Visa que tanto o educador quanto o estudante compreendam a utilidade aplicativa da matéria no dia-a-dia, aplicando-a em soluções de problemas e no entendimento de como o mundo funciona. Por meio de exemplos do cotidiano, procuramos apontar soluções para a dificuldade no ensino matemático do meio educacional rural.
 
 
Palavras-chave: Aprendizagem; Ensino; Estudantes.
 
 
1-INTRODUÇÃO
 
A vida no campo diferencia-se da urbana não só pelo espaço que ocupa geograficamente, mas principalmente pela ligação que as pessoas têm com a terra e seus frutos. Nesse meio, uma educação idêntica a da cidade provocaria uma desistência em massa, pois estaria desvinculando-se da vida real dos sujeitos em assunto. De acordo com dados da revista Nova Escola (setembro 2003), que aborda o tema educação do campo. Os números das escolas campesinas crescem a cada ano, sendo na época de 101 mil escolas implantadas e em funcionamento, 6,3 milhões de estudantes devidamente matriculados e 290 mil professores atuando em diversas áreas do conhecimento.   
 
Com base nestes dados pode-se citar a educação do campo como uma realidade social do novo milênio. Com um publico crescente o Concelho Nacional de Educação aprovou em 2001 as Diretrizes Operacionais para educação básica nas escolas do campo, para adequar conteúdos, tempo e espaço pedagógico, objetivando assim diminuir a evasão escolar de 25% para 5% em épocas de cheias e de colheitas. Entre as crianças nascidas no meio rural apenas 21% terminam o Ensino Fundamental e só 10% concluem o Ensino Médio, isso requer medidas urgentes direcionadas aos trabalhadores do meio rural que atualmente representam 70% dos alimentos que chegam as mesas urbanas.
  
Dentro desta perspectiva o processo de ensino e aprendizagem da Matemática deve ser bem trabalhado nas escolas rurais, para que futuramente os estudantes não apresentem dificuldades graves, quanto à construção deficiente do pensamento lógico-abstrato.
 
Atualmente o ensino da Matemática se apresenta descontextualizado e invariável, sendo produto de mentes privilegiadas. O estudante é, muitas vezes, um mero expectador e não um sujeito participador, sendo a maior preocupação dos professores a de desempenharem o programa. Os conteúdos e a metodologia não se articulam com os objetivos de um ensino que sirva à inclusão social dos estudantes, ao desenvolvimento do seu potencial, de sua expressão e interação com o meio.
 
O trabalhar com a matemática em sala de aula representa um desafio para o educador na medida em que demanda que ele o conduza de forma significativa e instigante para o estudante. Comumente as referências que o docente tem em relação a essa disciplina vêm de sua noção pessoal. Muitos deles asseguram que tiveram dificuldades com aquela matemática convencional ensinada nas escolas, que tinha como objetivo a transmissão de regras por meio de intensiva prática. Compete então descobrir novas formas de trabalhar com a matemática, de modo que as pessoas compreendam que pensamos matematicamente o tempo todo, resolvemos problemas durante vários momentos do dia e somos convidados a pensar de forma lógica diariamente. A matemática, portanto, faz parte da vida e pode ser aprendida de uma maneira dinâmica, divertida e contextualizada.
 
 
2- O ENSINO X APRENDIZAGEM
 
As dificuldades com as quais os estudantes e os professores se deparam no ensino-aprendizagem da matemática são muitas e conhecidas, por um lado, o estudante não alcança o entendimento da matemática que a escola lhe ensina, muitas vezes é retido nesta disciplina, ou então, mesmo que aprovado, sente dificuldades em fazer analogias com o dia a dia daquilo que a escola lhe ensinou, em resumo, não consegue efetivamente ter acesso a esse conhecimento de fundamental importância.
 
O educador, por outro lado, consciente de que não consegue alcançar resultados satisfatórios junto aos estudantes, e tendo dificuldades de, por si só refletir de maneira satisfatória sua pratica pedagógica procuram novos subsídios muitas vezes, meras receitas de como ensinar determinados conteúdos que, acreditam que possam melhorar este quadro. Uma evidência disso é, positivamente, a participação cada vez mais crescente de docentes nos encontros, conferências ou cursos. Parecem encontrar nesses ambientes táticas didáticas para solução de todos os problemas que vêem enfrentando no cotidiano escolar. No entanto, observamos que atualmente muitos docentes se empenham em transformar tal condição educacional, buscando dar prioridade à transferência de conteúdos com técnicas diversificadas, aliadas às experiências do dia-a-dia, para com isso levar o estudante ao desenvolvimento do raciocínio lógico e ao exercício da sua capacidade de reflexão.
 
De acordo com as psicologias de aprendizagem e as filosofias da educação, ensino resulta em aprendizagem, e nos leva a crer que ensinar implica em fazer alguém aprender. Porém, sem compreensão e empenho próprio não há aprendizagem. Compreender os conteúdos não esta diretamente ligada à explicação do educador, assim como o empenho não pode ser por este transferida ao estudante. A compreensão germinar do amadurecimento, do mesmo modo que o esforço nascer do enteresse que o estudante necessita para consolidar sua aprendizagem. De acordo com Miguel e Miorim
 
A finalidade da educação matemática é fazer o estudante compreender e se apropriar da própria matemática, concebida como um conjunto de resultados, métodos, procedimentos, algoritmos etc. os autores ainda afirmam que a finalidade é fazer o estudante estabelecer, por intervenção do conhecimento matemático, valores e atitudes de naturezas diversas, visando o desenvolvimento integral do ser humano e, particularmente, do cidadão, isto é, do homem público” (MIGUEL E MIORIM, 2004, P.71).
 
           Para que o educador consiga inserir idéias na cabeça do estudante, ele precisa apresentar situações–problemas estimulantes, levantar questionamentos de indução lógica, onde proporcione ao estudante momentos de raciocínio direto. Não simplesmente dando a resposta, mas sempre dialogando até que ele mesmo consiga estabelecer relação, sempre ouvindo o que o estudante tem a sobrepor sobre o assunto, sem criticá-lo ou ridicularizá-lo. E sempre relevante ter em mente a busca, pois o estudante se sentira sujeito participativo e construtor de seu conhecimento próprio.
 
 
3 ENSINO E APRENDIZAGEM DA CONTAGEM NUMERICA
 
O ser humano se viu em meio à necessidade de contar com o desenvolvimento das atividades humanas, quando o homem foi deixando de ser pescador e coletor de alimentos para fixar-se no solo,mas propriamente com a descoberta da agricultura. Então teve inicio um movimento de contagem extremamente necessário. O homem começou a plantar, construir casas e domesticar animais para sua sobrevivência e apropriação de bens.
 
A agricultura passou então a exigir as informações do tempo, das estações do ano e das fases da lua e assim tiveram inicio os primeiros calendários. Já no lidar com os animais era utilizada uma técnica de colocar pedrinhas em um saco. Para cada animal que saia ao pasto pela manhã era acrescentada uma pedra ao saco, e no fim da tarde era feita a conferencia, ou seja, para cada animal que retornava era retirada uma pedra do saco. Se no fim do dia houvesse sobra, é por que faltava algum animal. Atualmente a palavra cálculo é derivada da palavra latina calculus, que significa pedrinha.              A equivalência unidade não era feita somente com pedras, mas também com nós em cordas, marcas nas paredes, talhes em ossos, desenhos nas cavernas e outros tipos de marcação.
 
A estrutura lógico-matemática de número não pode ser ensinada diretamente porque a criança tem que construí-la, se voltarmos o olhar aos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática temos que:
Ao longo do ensino fundamental os conhecimentos numéricos são construídos e assimilados pelos alunos num processo dialético, em que intervém como instrumentos eficazes para resolver determinados problemas considerando-se suas propriedades, relações e o modo como se configuram historicamente. (p. 54-55, 2001)
 
Por meio deste, podemos utilizar distintos recursos didáticos para animar o estudante a pensar ativamente, estimulando o desenvolvimento de sua capacidade mental, um bom e viável exemplo são os jogos, magnífica saída didática que pode ser utilizada nas aulas de Matemática. Pois enquanto jogam, os estudantes comunicam-se, conferem idéias e reorganizam o pensamento através do contato de proximidade que ocorre entre eles e com o educador.
 
O educador deve sempre estar um passo a frente de seu publico de estudantes. Então é muito importante que o docente, antes de trabalhar com jogos em sala de aula, teste analisando suas próprias jogadas e refletindo sobre os possíveis erros; com isto, terá condições de entender as eventuais dificuldades que os estudantes poderão enfrentar. Contudo, devemos ter mais um cuidado, pois para cada realidade existirão jogos melhor condizentes, há sempre a possibilidade de adaptação sem que os jogos percam suas características sendo sempre interessantes e desafiadores. O conteúdo deve estar de acordo com o grau de desenvolvimento e ao mesmo tempo, de resolução possível, portanto, o jogo não deve ser fácil demais e nem tão difícil, para que os educando não se desestimulem (BORIN, 1995).
 
Conforme afirmam FIORENTINI e MIORIM (1996)
 
O professor não pode subjugar sua metodologia de ensino a algum tipo de material porque ele é atraente ou lúdico. Nenhum material é válido por si só. Os materiais e seu emprego sempre devem estar em segundo plano. A simples introdução de jogos ou atividades no ensino da matemática não garante uma melhor aprendizagem desta disciplina (p.9).
 
O processo de contagem deve estar o mais próximo do sujeito em questão, um bom exemplo é o de fornecer dados do cotidiano para que ocorra significância ao estudante, que por sua vez, estabelecera relações entre a matemática estudada por ele em sala e aquela utilizada em seus afazeres. De acordo com KAMI (p.59) “O número envolve a quantificação de objetos discretos e, portanto, não pode ser ensinado através da extensão, que é uma quantidade contínua”.
 
A lógica que está presente em nosso cotidiano, em nossas ações, se encarregara de efetivar a aprendizagem da matemática. Ao chegar ao ultimo ano do ensino fundamental os estudantes precisam saber ordenar suas idéias, escrever corretamente, agir diante das diferentes situações, precisam ter raciocínio matemático eficaz.
 
 
4 . O ENSINO ATRAVES DA MODELAGEM
 
Quando se trata de ensinar é preciso valorizar a capacidade de questionar, a coragem de propor soluções, anseio pelo conhecimento. Diante deste conjunto de fatores indispensáveis para aprendizagem, o educador deve proporcionar esta relação matemático-mundo que existe entre as pessoas, e no meio em que vivemos.
Uma técnica bastante usual no 9º ano é a modelagem matemática, arte de expressar por intermédio de linguagem matemática situações-problema de nosso ambiente. Esta metodologia de ensinar é recente no Brasil, um dos primeiros trabalhos de Modelagem no ensino foi do professor Aristides Camargo Barreto, da PUC do Rio de Janeiro, na década de 1970. 
 
A idéia de Modelagem gera a imagem de um oleiro moldando o barro e dando forma a algo nada atraente. Segundo o Dicionário da língua portuguesa, o termo modelo designa “uma representação de alguma coisa”. De fato o ser humano sempre recorreu aos modelos, para transmitir mensagem aos seus semelhantes como para organizar uma ação.
 
Nessa definição, a Modelagem, é um processo que insurgi da própria razão e compartilha da nossa vida como forma de constituição e de expressão do conhecimento. Segundo Bassanezi (2002, p.24) “A modelagem consiste, essencialmente, na arte de transformar situações da realidade em problemas matemáticos cujas soluções devem ser interpretadas na linguagem usual”.
 
De acordo com BIEMBENGUT, (2003, p.13) “A Modelagem Matemática é, assim, uma arte ao formular, resolver e elaborar expressões que valham não apenas para uma solução particular, mas que também sirvam, posteriormente, como suporte para outras aplicações e teorias.” Tendo esta afirmação por verdade, podemos acreditar que a realidade e a matemática são dois conjuntos independentes e a modelagem é o elo que os faz interagir.
 
 
5- CONCEPÇÃO DOS ESTUDANTES SOBRE A MATEMATICA DO 9º ANO
 
O ensino da Matemática possui problemas similares aos de outras disciplinas, seguindo um padrão transmitido da escola tradicional que se pauta de início onde o educador preparar os conteúdos de forma dissociada da realidade do estudante, produzindo conhecimento sem significado sem levar em consideração o conhecimento prévio desses educandos. Carraher e Schliemann (1995) acreditam que os estudantes oriundos de famílias de renda econômica limitada e que trabalham, empregam os conhecimentos matemáticos na sua vida habitual, solucionando diversas situações problemas, especialmente atrelados às suas situações de afazeres; porém, na escola não conseguem resolver atividades envolvendo cálculos semelhantes. “Na aula de Matemática as crianças fazem contas para ganhar boas notas, para agradar o professor e para passar de ano. Na vida cotidiana, fazem as mesmas contas para pagar, dar troco...” (1995, p. 16). Nesta experiência, fizemos um estudo investigatório sobre como os estudantes do 9º ano realmente encaram a disciplina matemática em sala de aula; como esta chega até eles.
 
 
5.1 APLICAÇÃO DO QUESTIONARIO AOS ESTUDANTES
 
O estudo investigatório tem por finalidade diagnosticar quais são as concepções de Matemática e de ensino e aprendizagem de Matemática do estudante do ano final do ensino fundamental. Foram entrevistados através de questionários 34 estudantes do 9º ano único da Escola Municipal Monteiro Lobato, localizada no assentamento Capão Bonito II município de Sidrolândia, MS. A escola atualmente funciona a partir da educação infantil até o 9ºano do ensino fundamental, sendo nos períodos matutino e vespertino. Os estudantes são transportados até a escola em ônibus escolar, porem a permanência máxima dos estudantes nos veículos de transporte é de uma hora para vir até a escola e consecutivamente o mesmo tempo de retorno as suas casas.
 
A instituição de ensino anteriormente citada conta com uma boa estrutura, pois contempla as necessidades dos estudantes, possui pátio amplo, quadra de esportes, campo gramado, viveiro de mudas onde à escola desenvolve as aulas de agroecologia. Ainda citando o viveiro observamos as possibilidades de trabalhar a disciplina de matemática, pois da construção da estrutura até a produção de mudas existe uma imensidão de possibilidades de cálculos reais e utilizáveis no cotidiano.
 
1)Você gosta de estudar matemática? Justifique sua resposta.
 
Diante desta primeira questão obtivemos os seguintes resultados 47% dos estudantes disseram não gostar de estudar a disciplina matemática; 35% afirmam que gostam bastante do estudo da matemática, já 18% dizem que gostam parcialmente.
 
Observando as justificativas dadas a esta pergunta, nota-se que os entrevistados que disseram não apresentaram as seguintes justificativas: 38% “A disciplina é muito complicada”; 38% “A aula é muito chata sem atrativos”; 12% “disciplina descontextualizada”; 12% não apresentaram motivos.
 
Entre os estudantes que disseram sim podemos analisar as seguintes justificativas: 33% acreditam que “o estudo da matemática é muito importante”; 34% afirmam “a matemática nos ajuda no cotidiano”; 33% “a matemática ajuda a desenvolver a mente”. Já´os que responderam parcialmente 100% dizem que “a disciplina é um pouco complicada”.
 
2) Em sua opinião existe alguma ligação ou utilização da matemática em seu cotidiano?
 
Nesta segunda pergunta feita aos estudantes identificamos que 94% responderam sim, pois acreditam que a matemática esta ligada diretamente a nossa rotina diária de afazeres e justificaram com os seguintes argumentos “usamos diariamente, pois esta presente em tudo, por exemplo, nos supermercados,bancos, fazer contas e até para fazer um bolo”. Apenas 6% disseram que não sabem se existe ou não ligação da matemática com o cotidiano e não apresentaram nenhum exemplo de justificativa.
 
3) Existe alguma dificuldade em sua compreensão da disciplina matemática? Qual?
 
Com esta terceira questão obtivemos um resultado de 100% dos entrevistados dizendo que sim e as mais diversas justificativas. Sendo que 23% disseram “que as equações são muito difíceis”; 18% afirmam “não entender a linguagem do (a) educador (a)”; consecutivamente 18% dizem que “há muita bagunça na sala o que dificulta ainda mais o entendimento”; 12% atribuem à dificuldade de compreensão “aos conteúdos novos, ou seja, não entendem o conteúdo anterior e já vem um novo”; na mesma proporção de estudantes 12% “culpam as expressões algébricas, pois são muito confusas”; 12% não apresentam justificativas somente afirmam que existem vários motivos para não compreenderem a disciplina em questão e apenas 5% dizem “que a falta de livro didático influencia na deficiência de apreensão do conteúdo”. Diante das respostas fornecidas observamos que os estudantes sitaram situações comumente encontradas nas escolas publicas e que decorrem de uma serie de fatores, sendo alguns exemplos, a descontextualizarão dos conteúdos, a falta de comunicação entre educador-estudante, a super lotação das salas de aula dificultando o domínio do educador junto aos estudantes, a falta de material de apoio nas aulas de matemática.
 
 
4) Como você avalia o ensino da matemática que chega até a sala de aula?
 
A esta quarta questão o resultado foi de 70% para os que acham o ensino bom, pois “transmite os conhecimentos básicos”. 12% responderam que é parcial e apresentaram a justificativa que “o ensino é mais ou menos”. Já em relação aos outros 18% afirmaram que “o ensino que chega ate eles em sala de aula é consideravelmente complicado”. Assim sendo podemos ter uma noção parcial de que existe por parte dos estudantes uma expectativa sob o ensino da disciplina matemática quando chegam ao 9º ano.
                                          5)Referente ao estudo da tabuada você tem domínio? Justifique sua resposta.
 
Como base para as quatro operações a tabuada não poderia ficar de fora deste questionário, principalmente por se tratar do 9º ano, onde se espera que os estudantes tenham total domínio da matemática elementar do ensino fundamental. Diante deste questionamento os estudantes deram as seguintes respostas: 35% “dizem sim, afirmam ter domínio da tabuada, pois ela é a base para os cálculos de matemática”. Proporcionalmente aos que tem domínio estão 35% que dizem “ter domínio parcial, não sabem tudo ao pé da letra”. Sendo os outros 30% negativos ao domínio da tabuada.
 
 Tendo uma porcentagem maior entre os que têm alguma dificuldade referente ao domínio da tabuada podemos supor que a bagagem de conhecimentos matemáticos dos estudantes do ultimo ano do ensino fundamental fica deficiente em noções básicas como o domínio da tabuada.
  6)O estudo é priorizado por você?  Como você se organiza para estudar matemática?
 
Referente à prioridade aos estudos 100% afirmam prioriza-lo, porém quando se trata de como se organizam para estudar a matemática 59% disseram que “fazendo e refazendo as contas em casa, onde é mais tranquilo que em sala de aula”. Já os outros 41%comentaram que “não há uma organização extra-sala, afirmando só estudar a matemática em sala”.
 
 
 
5.2 RESULTADOS PARCIAIS
 
Dessa forma, para a maioria dos estudantes pesquisados, saber matemática constitui ter desenvolvido a habilidade de refletir de maneira geral, pensando o problema de forma distinta e visualizando as diversas possibilidades de resolução aplicando os conceitos aprendidos.
 
Conseqüentemente é imprescindível, que façamos uma nova reflexão das práticas pedagógicas em sala de aula referente o estudo da matemática, trazendo novas sugestões que forneçam melhoria do ensino e da prática educacional da disciplina matemática Vigente. Pois no geral o que temos nas escolas rurais tem mais a ver com a finalidade de ensinar métodos de resolução de determinados tipos de problemas ou aplicação de teorias, do que com o objetivo de levar o estudante a formular hipóteses e desenvolver o raciocínio lógico.
 
O cotidiano dos estudantes do campo é um laboratório matemático, pois a maioria sobrevive da renda do lote que sua família possui, onde para obter tal renda se faz necessário dominar algumas técnicas de produção; sendo hoje no local a mais comum à bacia leiteira, onde a própria família cuida desde o trato com os animais produtores até o fornecimento do produto ao mercado consumidor. Neste processo diário de produção existe grande utilização de cálculos e equações, porém os sujeitos não conseguem associar tais cálculos as expressões, equações, etc. Pode-se dizer então ser por esta vertente que a aprendizagem será reforçada no estudante camponês.
 
 
6 OPINIÃO DA EDUCADORA SOBRE A APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES DO 9º ANO
 
1)A escola em que trabalha fornece subsídios para o bom desempenho da disciplina matemática?
 
2)Existe algum tipo de acompanhamento personalizado com o professor da disciplina matemática?
 
3)Sendo professor (a) da disciplina matemática, como avalia de forma geral o desempenho da aprendizagem dos estudantes do 9º?
 
4)Os conteúdos são adaptados às realidades dos estudantes do meio rural?
 
5)Os PCN’s influenciam de maneira positiva ou negativa em sua pratica docente? Expresse o seu ponto de vista.
 
6)Qual sua avaliação enquanto professor dos anos finais do ensino fundamental, a respeito do nível de conhecimento matemático que os estudantes acumulam nas series iniciais do ensino fundamental?
 
7)Em sua opinião existe alguma metodologia eficaz no ensino da matemática?
 
8)Expresse o seu sentimento referente à sua satisfação como profissional da educação no meio rural?
 
9)Em sua opinião qual o maior desafio do educador da disciplina matemática no ano final do ensino fundamental?
 
Em relação às questões aplicadas à professora regente da disciplina matemática do 9º ano obtivemos o seguinte relato.
Resposta 1: “No tocante a escola, a instituição faz o que esta ao seu alcance, porém o material mais utilizado são os livros didáticos.”
 
Resposta 2: “não existe nenhum forma de acompanhamento especializado com o educador nem com os estudantes, mas ressalta que seria muito valido se houvesse”.
 
Resposta 3: “ acredita que o desempenho é regular, poderia ser melhor, porém as salas são super lotadas o que dificulta o trabalho do educador”.
 
Resposta 4: “afirma que a maioria dos conteúdos são por ela adaptados para realidade do meio rural a qual os estudantes pertencem”.
 
Resposta 5: “os PCN’s são importantes para nossa ação e reflexão, porém precisamos de maior fundamentação teórica”.
 
Resposta 6: “os conhecimentos matemáticos que os estudantes trazem das series iniciais são poucos e desvinculados da realidade, poderiam ser melhor trabalhados”.
 
Resposta 7: “acredita que depende muito do público que o educador atende e de como esse encaminha as atividades com os estudantes”.
 
Resposta 8: “tenho grande satisfação, pois morro no assentamento e acredito no desenvolvimento do meio rural e nas pessoas que aqui residem, nós educadores somos multiplicadores de idéias”.
 
Resposta 9: “ acredita que o maior desafio do educador do campo seja o de envolver as famílias na escola, e também que os estudantes e o educador falem a mesma língua”.
 
 
7 CONCLUSÃO
 
Tendo a matemática como a disciplina que alicerça todas as áreas do conhecimento, podemos consequentemente afirmar a necessidade por maiores estudos sobre o ensino e a aprendizagem desta disciplina. Compactuando com os dados reais fornecidos diretamente pelos estudantes do 9ºano podemos concluir que a maioria dos estudantes não sente prazer nem enterece pelo estudo da matemática, pois existe uma concepção pré-adquirida sobre os conhecimentos matemáticos. Em contra partida os dados de quem gosta da matemática por ver relação com o cotidiano é bastante expressivo, o que nos remete as possibilidades de aprimoramento do ensino no meio rural.
 
De acordo com os sujeitos envolvidos no processo de ensino aprendizagem, o trabalho da matemática incorporado à realidade local é um grande aliado dos profissionais que pretendem ou já atuam em escolas rurais, pois cada estudante traz consigo uma experiência individual do conhecimento matemático necessitando somente ser norteado pelo educador. Esta teoria só reforça a tese onde o educador atua como mediador do conhecimento.
 
A maioria dos estudantes acredita que o ensino oferecido é bom, porém fica muito preso ao livro didático, em resumo a pesquisa realizada pode concluir que o ensino e aprendizagem no 9° ano são parciais, de acordo com a educadora não atinge os níveis ideais de aprendizagem, porem não é insatisfatório na opinião dos estudantes.
 
Segundo observações, os resultados iniciais da pesquisa foram promissores no sentido de nos auxiliar a conhecer melhor o pensamento dos estudantes da escola rural, o que por sua vez poderá servir como suporte para nossa pratica docente.
  
 
8 REFERÊNCIAS
 
ABRIL, Revista. Almanaque abril: São Paulo, SP. Ed. ABRIL, 2005.
 
PAMPLONA, A.S., COSTA, W.N.G. & MORAIS: As Concepções de Matemática e de Ensino-aprendizagem de Matemática.
 
BIEMBENGUT, M. S.; Hein, N. Modelagem matemática no ensino. São Paulo: Contexto, 2003.
 
D’ANBRÓSIO, U. Educação Matemática: da teoria à prática. Campinas: Papirus, 1996
 
NOVA ESCOLA, Revista do professor. Setembro 2003. Ed. Abril.          
 
RONAN, C.A. (1983). História ilustrada da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 1983.
 
FERREIRA, B.de H. (2000). Minidicionário Aurélio. Editora: Nova Fronteira, 2000.